Quatrocentos metros de desnível numa única volta em Carezza, entre quatro horas e meia e cinco em Asiago: sete dias de golfe são uma pequena proeza física, e convém prepará-los com algumas semanas de antecedência.
Quem joga de vez em quando e depois parte para uma semana de golfe passa de zero a seis ou sete voltas em poucos dias, com as mesmas articulações de sempre. Este artigo não é um plano de treino nem um conselho médico: reúne indicações gerais de fontes autorizadas e dados dos clubes para ajudar a decidir como se preparar. Perante qualquer dúvida sobre a saúde, a pessoa certa é o médico.
O que diz a fonte médica: o golfe não é «pouco arriscado»
A American Academy of Orthopaedic Surgeons (AAOS) lembra que muitos consideram o golfe uma atividade pouco exigente, mas que pode causar lesões no tornozelo, cotovelo, costas, joelho, anca, mão e pulso. Cita uma revisão do British Journal of Sports Medicine (março de 2024) segundo a qual mais de metade dos golfistas corre ao longo da vida o risco de uma lesão musculoesquelética: 56,6 % entre os amadores. Segundo alguns estudos, os amadores que jogam mais de três ou quatro voltas por semana têm um risco maior do que os que jogam menos: uma semana de férias com uma volta por dia ultrapassa essa frequência. A maior parte das lesões, explica a AAOS, nasce da sobrecarga: repetir o mesmo gesto sujeita sempre os mesmos músculos, tendões e articulações a esforço.
As semanas anteriores: começar gradualmente
A AAOS, no guia para iniciar um programa de exercício, recomenda começar devagar e com constância, sobretudo se não se treina há muito tempo, e consultar o médico antes de uma atividade intensa se existirem problemas de saúde como hipertensão ou diabetes. Um programa equilibrado, escreve, tem três elementos: condicionamento aeróbico, flexibilidade e força; para o aeróbico, uma orientação geral é chegar aos 20-30 minutos por dia, três ou quatro dias por semana, com caminhada, corrida ou bicicleta. A Organização Mundial da Saúde indica como limiar geral para os adultos pelo menos 150 minutos por semana de atividade moderada. Para uma semana de golfe, a caminhada é o exercício mais coerente: durante a volta anda-se muito.
Para as costas, a perturbação mais frequente entre os golfistas, a AAOS sugere exercícios com banda elástica (rowing e pull down, três séries de dez, pelo menos três vezes por semana), ioga e pilates para a força do tronco. Para o cotovelo, exercícios para os músculos do antebraço como o tennis ball squeeze e o wrist curl. São exemplos da fonte, não uma prescrição.
No dia da volta: aquecer antes de bater
O aquecimento é o conselho que a AAOS mais repete: sempre antes da volta. A ideia é levar sangue aos músculos e aumentar-lhes a temperatura: alguns alongamentos simples para ombros, costas e pernas, depois algumas bolas no campo de treino, começando pelos wedges e subindo no saco até ao driver. O campo de treino paga-se à parte na maioria dos clubes: em Is Molas a tabela de 2026 indica 15 euros, 25 com o equipamento. No fim da volta, diz a AAOS, alongar com os músculos ainda quentes reduz o risco de lesões.
O campo conta: desnível e duração
Nem todos os campos exigem o mesmo esforço. Alguns exemplos dos clubes do catálogo:
| Clube | O que diz o clube |
|---|---|
| Golf Club Carezza | Nove buracos a 1 680 metros; até 400 metros de desnível numa volta; são precisos «fôlego e resistência» |
| Golf Club Colline del Gavi | Desníveis que pedem «boas pernas» |
| Circolo Golf Asiago | Planalto de perfil suave, desníveis contidos; volta que se percorre a pé em 4 horas e meia a 5 |
| Golf Club Casalunga | Percurso definido pelo clube como «walkable» |
Numa semana inteira, convém alternar: um campo exigente e um plano, ou uma volta de 9 buracos entre duas de dezoito. Para quem prefere não levar o saco, existem carrinhos e buggies: em Is Molas, na tabela de 2026, o buggy custa 50-60 euros por 18 buracos e o carrinho elétrico 20-25 euros por dia. Nas provas de clube, lembra a Federação Italiana de Golfe, o buggy é permitido aos seniores ou a quem apresente um atestado médico.
Sapatos, sol, água e trovoadas
Segundo a AAOS, os sapatos devem ser confortáveis, dar bom apoio e não causar bolhas. Vale a pena recordar também estes conselhos gerais:
- Hidratação. Beber antes, durante e depois da volta, mesmo sem sede; o álcool contribui para a desidratação.
- Sol. Protetor solar, óculos que filtrem os raios UVA e UVB e boné com pala.
- Trovoadas. Aos primeiros sinais, abrigue-se num edifício sólido ou num veículo fechado; evite espaços abertos, abrigos pequenos e árvores.
- Buggy. Mantenha os pés dentro: alguns jogadores partiram o tornozelo com o pé debaixo do veículo em movimento.
- Atenção aos outros. Uma bola pode atingir: tenha cuidado com quem joga.
Perguntas frequentes
Com quanto tempo de antecedência convém começar a preparar-se?+
As fontes não indicam um número de semanas: a AAOS recomenda começar gradualmente e chegar, como orientação geral, aos 20-30 minutos de atividade aeróbica por dia durante três ou quatro dias por semana. Se tem problemas de saúde, consulte o médico.
É mesmo preciso aquecer antes de jogar?+
A AAOS recomenda-o sempre: alongamentos de ombros, costas e pernas e depois bolas no campo de treino, dos wedges ao driver.
Qual é a lesão mais frequente?+
Para a AAOS, os problemas de costas são a perturbação mais comum entre os golfistas, seguidos do cotovelo de golfista (epicondilite medial).
É melhor caminhar ou usar o buggy?+
Depende do campo e da forma física. Caminhar é um bom treino, mas num campo de montanha como Carezza, com até 400 metros de desnível, o clube avisa que são precisos fôlego e resistência.
Pode jogar-se uma volta por dia durante sete dias?+
Para a AAOS, os amadores que jogam mais de três ou quatro voltas por semana podem ter um risco maior: pondere nove buracos em alguns dias e alterne campos exigentes e fáceis.
